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Sobre as magníficas vantagens de aprender a tocar a guitarra-harpa

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Afonso e Zé Tó eram dois irmãozinhos gémeos, de Belmonte.. Gostavam muito de passear. Um dia perderam-se durante uma das suas passeatas. Andaram, ao acaso, por montes e vales à procura do caminho para casa. Foram horas, dias, semanas, meses! Acabaram recolhidos pela Segurança Social e metidos numa instituição de apoio à infância desvalida. Por lá ficaram vários anos. Fizeram a escola juntos, mas, chegados a uma idade mais madura, foram separados e cada um foi à sua vida.

O pai dos gémeos, de seu nome Zé Esteves, tinha emigrado para o Brasil havia anos, ninguém sabia ao certo dele, pensava-se que era um certo senador a viver em Brasília. A mãe, de seu nome Adolfina, que em vão procurou os filhos durante muito tempo, desesperada, sem saber deles, acabou por ir trabalhar na rulote de farturas de um tio, deambulando de feira em feira, feita quase refém.

Os gémeos não podiam ter tido um destino mais diferente. Zé Tó, mais empeeendedor, tornou-se fabricante de desodorizante para lagostas. O produto que vendia, o Nephropidae, foi um enorme sucesso junto das principais marisqueiras de Lisboa e ajudou a remontar um negócio que parecia estar em decadência. Inesperadamente, o banal tremoço foi destronado pela perfumada lagosta. O Nephropidae foi, sem dúvida, o principal responsável pela repentina viragem. Seguiu-se uma linha de produtos de higiene pessoal para lagostas — com destaque para o Homarus e o Malacostraca —, destinada exclusivamente às marisqueiras, que conheceu enorme sucesso. Graças ao IAPMEI alcançou mesmo a internacionalização, e levou a um crescimento do PIB em mais de 20%! O Homarus, um sabonete anti-calcário para as patas e o Malacostraca, um champô-condicionador especialmente concebido para as antenas, chegaram mesmo a ganhar ouro em edições consecutivas do BestinBizz Most Innovative Product of the Year Awards. Zé Tó nunca se chegou a casar.

O Afonso, mais sonhador, era músico e tocava guitarra-harpa. Casou-se e, juntamente com a mulher e as duas filhas, organizou um conjunto, que animava, sobretudo, quermesses, missas, normais e de corpo presente, casamentos e outras acontecimentos sociais. Desesperou à procura da mãe e do irmão. Acabou por desistir, mas este sentimento de perda deixou-o sempre amargurado.

Um dia, o destino voltou a juntar os irmãos. Tudo aconteceu num hotel do interior. Afonso participava com o seu pequeno grupo na animação de uma convenção dos Colunáveis Anónimos e Zé Tó estava reunido com a força de vendas para o encontro anual de avaliação de desempenho. Cruzaram-se num corredor do hotel e reconheceram-se. Afectos comovidamente partilhados, recordações restabelecidos, efusiva troca de contactos, promessa do novo reencontro e de compensar o tempo perdido, o compromisso firme, enfim, de encontrarem a mãe. Semanas depois ocorreu o tal reencontro. Rapidamente se puseram de acordo sobre a estratégia para descobrir o paradeiro da mãe e, finalmente, passados meses, lá descobriram Adolfina numa feira em Penamacor e souberam dos tratos a que era sujeita. Nessa noite uma visita furtiva à rulote, a ansiosamente aguardada e cuidadosamente planeada operação de resgate da mãe, a fuga, com a mãe escondida numa mala, enfim a liberdade. Terminada a operação, desemalaram a senhora e, surpresa!, não era a mãe, mas a mulher do tio, uma megera ciumenta, chamada Dulce, que maltratava Adolfina.

Depois de arrancarem da megera, pela força, indicação do local onde estaria a mãe, os dois desmembraram-na, esventraram-na e desfizeram-na em pedaços que lançaram para uma pocilga que havia logo ali. A seguir foram resgatar a mãe do jugo imposto pelo tio, que, de facto, mantinha Adolfina como escrava sexual. Aplicaram-lhe o mesmo tratamento que à Dulce, mas desta vez congelaram os pedaços do corpo para utilização posterior numa fábrica de enchidos e fumados que o Zé Tó, sempre empreendedor, tinha montado recentemente.

Adolfina foi viver com o filho Afonso. Recebe agora, regularmente, a visita do Zé Tó. Está a aprender guitarra-harpa para integrar o grupo com o filho, a nora e as netinhas.

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Discussão

One thought on “Sobre as magníficas vantagens de aprender a tocar a guitarra-harpa

  1. Republicou isto em REBLOGADOR.

    Posted by adcarrega | 25 de Setembro de 2018, 10:24

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